Gluteoplastia

Gluteoplastia: você já deve ter ouvido falar. A técnica que consiste em aumentar o tamanho dos glúteos a cada ano ganha novas adeptas. Confira a seguir tudo sobre o silicone no bumbum com o cirurgião plástico Raul Gonzáles.

Genética não é destino, proclamam as inconformadas, com seu quinhão de doces. Se fosse, por que existiriam as próteses de silicone? Depois de se tornarem até banais nos seios, elas agora se expandem ao sul da fronteira.

No país das popozudas, do rebolation e de outras manifestações do culto à retaguarda, o número de gluteoplastias, nome técnico da cirurgia que aumenta e levanta as nádegas dobrou. As próteses mais usadas são as de 300 mililitros de silicone, praticamente o conteúdo de uma latinha de refrigerante. Ao contrário do aumento dos seios, em geral assumidíssimo em decoes e conversas em qualquer esfera social, a recauchutagem das nádegas costuma ser sigilosa. “É o grande segredo das clínicas de plástica. Algumas mulheres escondem até do marido e aproveitam para fazer quando eles estão viajando”. Confidência o cirurgião plástico Raul Gonzáles, de São Paulo, especialista nesse tipo de intervenção.

Nesse sentindo, a apresentadora Ana Maria Braga foi precursora: fez e transparentemente assumiu. Em 2005, decidida a dar mais volume ao derrière, implantou 220 mililitros de silicone. “Quando algo não está me satisfazendo, vou lá e corrijo”, disse na época. As declarações da apresentadora plantaram a sementinha da mudança na cabeça da modelo paranaense Raphaela Pereira. “Eu malhava muito e não conseguia aumentar o volume do glúteo. Há dois anos, meu marido me incentivou e implantei 300 mililitros de silicone. Todo mundo diz que fiquei com corpão”, diz. A adaptação à prótese numa área corporal requisitada para tudo: andar, sentar-se, deitar-se, é incômoda, principalmente na hora de dormir. “Parece que você está deitada em cima de alguma coisa. Mas não me importo. Hoje, tudo o que uso cai bem. Antes, só andava de roupa com cintura baixa para parecer que tinha mais bumbum”, diz a empresária carioca Samira Consuelo, que há seis meses exibe novas e explosivas curvas.

Gluteoplastia

Gluteoplastia

A disseminação do upgrade nos glúteos deve-se tanto a motivos culturais, como a aceitação cada vez mais universal das intervenções estéticas, quanto à evolução da cirurgia em si. Pela técnica usada atualmente, as duas próteses são acomodadas através de um incisão vertical de 5 centímetros bem abaixo do ponto de junção das nádegas, o que ajuda a esconder a cicatriz.Através dessa incisão, o médico afasta as fibras do glúteo máximo, o maior músculo da região e abre espaço para a prótese que corrigirá o efeito nada caridosamente descrito nos trabalhos acadêmicos como “nádegas tristes”. Na primeiras operações nos anos 1970, a prótese era aplicada sob a pele, resultando em fixação precária e aparência artificial. Em meados dos anos 80, a cápsula de silicone passou a ser colocada debaixo da musculatura glútea, local, mais seguro, mas que resultava em compressão do nervo ciático, causando muitas dores. A técnica intramuscular hoje usada protege o nervo e segura a prótese na posição ideal. “O resultado ficou muito mais natural. Parece que o músculo cresceu da noite para o dia”, descreve o cirurgião plástico Fernando Serra.

As próprias próteses se aperfeiçoaram. Há trinta anos, tinham consistência macia como as utilizadas para expandir os seios. Hoje, sua membrana é mais grossa e o gel preenche a bolsa, mais encorpado, justamente para se assemelhar à musculatura glútea, a mais espessa do corpo humano. Há formatos específicos para cada situação. Em 90% dos casos, usa-se o implante oval, lançado em 2004. “Essa prótese é anatômica e versátil: pode ser utilizada em diversas posições, de acordo com a maneira que se quer preencher o bumbum”, diz Serra. A cirurgia custa entre 10 e 20 mil reais. Dura uma hora e a paciente tem alta no mesmo dia, mas até os médicos reconhecem que o “desconforto”, como chamam eufemisticamente a dor, é alto. O estiramento intencional das fibras musculares deixa a região muito dolorida durante no mínimo cinco dias. Também é preciso dormir de lado ou de bruços. O risco de que a prótese estoure e muito baixo e, mesmo que isso aconteça, não haverá consequências de peso. “Como o gel é muito coeso, ele não se espalha”, diz o cirurgião Gonzales. Injeções na área remodelada, nunca mais, até porque o remédio não fará efeito algum, já que ficará retido na bolsa de silicone. Ao contrário das transferências de gordura, lipoaspirada de áreas onde sobra e reinjetada na região lateral das nádegas, as próteses evidentemente não são reabsorvidas pelo corpo. Em casos de flacidez muito grande, no entanto, elas não resolvem. Só farão efeito se acompanhadas de um lifting em toda a área das nádegas, cirurgia bem mais demorada e que deixa uma enorme cicatriz.

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