Queloide

Provavelmente todas as pessoas que passarão por uma cirurgia, seja ela estética (como a colocação de silicone) ou para tratar uma doença, se já ouviram falar do famoso queloide, terão um pouco de medo de que ele ocorra no seu próprio corpo. Quando o assunto é a cirurgia plástica, o queloide é ainda mais conhecido: alguns pacientes botam a culpa nos cirurgiões, outros dizem que o problema é com eles mesmos. Então, vamos entender de uma vez por todas o que é o queloide, como ele se forma e o quais os riscos corremos em uma cirurgia plástica ou qualquer outra? Continue lendo!

Queloide: o que é?

O queloide nada mais é do que tecido cicatricial, assim como qualquer outro. Uma cicatriz queloide é algo benigno e não contagioso, mas seu grande problema é que pode afetar a estética de qualquer pessoa, principalmente quando se torna muito grande.

Falando de forma simples, podemos dizer que o queloide é “uma cicatriz que não sabe quando parar”.

A principal característica do queloide é que essa “cicatriz exagerada” cresce além da localização inicial da ferida: no caso de cirurgias por exemplo, a ocorrência do queloide no local da pode ultrapassar os limites do próprio corte feito pelo cirurgião e crescer além de suas bordas. Essa é a principal diferença para um outro problema bastante conhecido, a cicatriz hipertrófica: nesses casos, há também um excesso de tecido de cicatriz do tipo colágeno, mas esse excesso não ultrapassa as bordas da incisão sendo, por isso, geralmente menor.

Queloide

Composição do queloide

O queloide é uma cicatriz que pode ter tonalidade marrom-escura até vermelho-brilhante. Quando no início do problema, a cicatriz costuma ser mais avermelhada, pois é composta por tecido de colágeno do tipo III, o que chega primeiro para formar a cicatriz. Com o passar do tempo, essa coloração passa a se escurecer, pois vai sendo reposta por colágeno tipo I, um colágeno mais maduro e escuro.

Sintomas

O principal problema do queloide é a sua aparência, como já falamos, tornando-se um problema estético. Porém, um queloide pode também trazer sintomas incômodos como dor (geralmente em pontadas, semelhantes a agulhadas), coceira e vermelhidão no local. O queloide é também um tecido mais propenso para a infecção, podendo formar úlceras em casos mais graves. Os mesmos sintomas geralmente não acontecem no caso de cicatrizes hipertróficas.

Causas do queloide

Diferente do que muitas pessoas pensam, o queloide tem como principal causa uma propensão genética. É costume de muitas pessoas, quando se deparam com um problema de queloide (delas mesmas ou de outras pessoas), acusar o cirurgião plástico no caso de cirurgias estéticas como a colocação de um silicone. Porém, em casos como estes, um processo judicial quase sempre terminará a favor do cirurgião.

Isso porque, havendo uma propensão genética, não é possível que saibamos quais pessoas poderão apresentar queloide no final de uma cirurgia e quais não têm riscos de que isso aconteça. Portanto, o queloide não tem nada a ver com a falta de habilidade de um profissional da saúde em fechar uma cicatriz, por exemplo.

Porém, em todos os casos, é dever do cirurgião plástico avisar o paciente, conversando e por meio do termo de consentimento (que deve ser assinado pelo paciente antes de qualquer cirurgia). Apenas nos casos em que cirurgiões não exlicam às pacientes sobre a possibilidade de ocorrer um queloide e não havendo um termo de consentimento explicando o problema, isso pode ser levado a um processo judicial com benefício do paciente.

Ainda não se sabe a o que essa propensão genética leva, mas há um componente inflamatório envolvido na formação do queloide e também a falta da atuação correta de enzimas chamadas metaloproteinases, que são responsáveis por remover o tecido de cicatrização em excesso, durante a formação de uma cicatriz normal.

Onde os queloides surgem?

O mais comum é que os queloides se formem a partir de ferimentos causados por incisões cirúrgicas, além de locais claramente machucados, como no caso da colocação de piercings e furos para brincos, queimaduras, arranhões, acnes e perfurações para vacinação.

Em casos mais graves, os queloides podem surgir também em locais aparentemente não machucados (apenas com a lesão de coloar roupas diariamente, por exemplo) e crescer sem parar, até mesmo desfigurando uma pessoa. É claro que estes são casos muito menos comuns.

Tratamento do queloide

Existem hoje várias formas de tratar um queloide, dependendo do seu grau de evolução, tamanho e localização no corpo.

A remoção cirúrgica é uma das opções mais simples, mas também menos eficiente na maioria dos casos. Isso porque, havendo propensão genética do paciente a formar um queloide, a retirada cirúrgica causará outro trauma e são grandes as chances de o queloide voltar, geralmente maior.

Um dos tratamentos mais eficientes e menos invasivos hoje em dia para o queloide é a radioterapia superficial (SRT), mas que também costuma ser muito mais cara. A SRT chega a curar os queloides em 90% dos casos.

Outros dois tratamentos pouco invasivos incluem o uso de géis de silicone no local das lesões para evitar o crescimento exagerado da cicatriz e também injeção de corticóides, diminuindo o processo inflamatório na região.

Outros tratamentos menos eficazes e comuns incluem a terapia a laser, a crioterapia, o uso de malhas de compressão (eficazes principalmente em casos de queimaduras) e drogas imunomoduladoras (como o Interferon-alfa).

De qualquer forma, o melhor tratamento do queloide é a prevenção: se já houveram casos na família em parentes próximos, ou se você mesmo(a) já teve algum tipo de queloide, é importante evitar lesões de pele e tratá-las o mais precocemente possível, evitando a formação dos queloides. E, é claro, se for necessário passar por qualquer tipo de cirurgia (estética ou para tratamento de doenças), é importante avisar o cirurgião sobre o problema.

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